quarta-feira, 3 de setembro de 2025

A DIFÍCIL ARTE DE ENVELHECER ACORDADO

 
A DIFÍCIL ARTE DE ENVELHECER 
  Hoje, pela manhã, estava na biblioteca da escola, cumprindo com o horário de trabalho chamado HTPI (Horário de Trabalho Pedagógico Individual). 
Resolvi abrir a galeria de fotos do meu celular e fui descendo até as fotos mais antigas.               Encontrei fotos da minha mãe e, ao passar por uma foto do meu sobrinho-neto vestido de Homem-Aranha, visualizei as fotos dos meus netos — uma delas uso como imagem no meu perfil do WhatsApp: o meu pé de neto.                                    Em seguida, avistei a foto do meu filho mais velho segurando um bebê recém-nascido, creio ser a minha neta. 
Encontrei também a foto do meu irmão mais velho no mirante em Aparecida do Norte, segurando as mãos da minha cunhada.   
Lembrei-me da ocasião em que tirei essa foto.       Vi a foto do meu pai, na ocasião um homem forte e vigoroso. 
  Por fim, passei pelas fotos recentes da minha filha com o marido e o sorriso sem dente da minha netinha Mariana. 
  Como é bom ver esse sorriso puro e inocente!
  De súbito, veio um desespero: o que estou fazendo aqui nesse lugar, em meio a essa gente estranha? 
  Onde estão os meus familiares? 
  Por que não estou junto deles? Essa sensação estranha, algo que nunca havia sentido antes, me invadiu. 
Na minha mente, pareceu que abriu um túnel do tempo, e eu me pus a pensar na vida. Bateu-me um desespero, como se a minha mente estivesse indo embora, algo como se estivesse me afastando da realidade. Perguntei-me: o que estou fazendo aqui, longe de casa, distante das pessoas que amo? 
 O desespero aumentou, entrei numa paranóia e quase surtei. 
 Não compreendo o que está se passando comigo; não estou preparado para lidar com algo dessa magnitude.
Tive que compartilhar essa experiência com um velho amigo. 
Este me fez entender que essas coisas fazem parte da senilidade, são ciclos se fechando. 
Estamos passando por uma fase de reflexão, essa etapa não foi percebida antes, porque na juventude acreditamos que temos muita coisa a ser vivida. 
  Agora, na senilidade, percebemos que a vida é linear e está por um fio; nessa fase, já estamos próximos do desembarque. 
  Por hora, só nos resta rogar a Deus e agradecer pela vida, pela saúde, pelos amigos, pela família, etc. 
Ter a consciência de que em breve é chegada a hora de deixar esse corpo para trás. 
  Saber que muitas pessoas que amamos se passaram pelas nossas vidas, e não devemos nos entristecer com isso, pois esse período é próprio daqueles que pensam, raciocinam e meditam sobre a vida e as coisas que ela nos proporciona.
Não sei se estou à beira da demência ou se estou a caminho de perder o cerne humano. 
Só sei que foi algo muito ruim. 
A mim só me resta uma única conclusão: essa confusão mental só pode ser o envelhecer acordado.
Crônica escrita pelo Prof° Rosalvo Silva Filho