quinta-feira, 27 de fevereiro de 2025

DESATINO APRUMADO

DESATINO APRUMADO 

Sou pequeno demais para questionar o que não conheço.
Para mim, tudo tem uma razão de ser.
Em tudo, acredito haver a mão divina,
Até mesmo quando optamos por rumos espúrios.
A providência divina faz a correção,
Contudo, não devemos nos pasmar.

Muito menos nos fazer de vítimas.
Há que sempre lembrar-se das escolhas feitas,
O livre arbítrio prevaleceu.
Embora tivéssemos recebido vários insights,
Ainda assim, o nosso ego preponderou.

O nosso guardião não falhou,
Nem o Criador se omitiu.
A nossa prepotência determinou.
Deus nunca erra, mesmo nas tempestades,
Ele nos protege de males que se aproximam.

Com sabedoria e amor, Ele nos guia
E nos ajuda a encontrar a paz, mesmo na tormenta.
Ele é nosso refúgio, nossa rocha segura,
Nosso pastor que nos cuida e nos protege.

Ele nos ajuda a encontrar a força
Para enfrentar os desafios e superar as provas.
Deus nunca erra, mesmo quando não entendemos,
Ele tem um plano maior, um propósito mais alto.
Ele nos ama e cuida de todos 
Nos ajuda  encontrar a paz e a alegria.

Lembre-se, as tempestades acontecem não por acaso,
É a providência divina, levando para longe o mal que estava a se instalar,
Receba as acontecências, sem lastimar
Verás que tudo ocorre, para o bem comum,
Afinal, somos tantos à todos há a  providência divina.

Poema escrito pelo Profº  Rosalvo Silva Filho
Formado em Ciências Físicas e Biológicas pela Faculdade Profº José A. vieira
Latus Sensus em Saúde e Meio ambiente pela Universidade de Lavras
Formação Acadêmica em Matemática pela Unioesp.


quarta-feira, 19 de fevereiro de 2025

CONFIDÊNCIA

 CONFIDÊNCIA 

Não sei por onde começar
Você bem sabe da minha timidez
Me encabulo só de pensar
Não quero perder você de vez.

Queria ser seu confidente
Fico tenso só em pensar
Me diga se surgir um pretendente
Para ocupar o meu lugar.

Sairei da sua vida tão de repente
Não haverá mais nada a nos ligar
Sei que fui tão displicente
Com o nosso amor, não soube lidar.

Aliás, tem um dito que diz
Só perdendo pra gente dar valor
Saiba o quanto ao seu lado fui feliz
Vou chorar sozinho a minha dor.

Quem tem um coração passarinheiro
Vivem perdidos entre céu e inferno
De flor e galho, esses estradeiros
Sem pouso fixo, expostos ao frio do inverno.

O amor é coisa para gente guardar 
Lá no fundo do peito.....
Não é hora pra se lamentar
Dói na alma,  não tem mais jeito......


Poema escrito pelo Profº  Rosalvo Silva Filho
Formado em Ciências Físicas e Biológicas pela Faculdade Profº José A. vieira
Latus Sensus em Saúde e Meio ambiente pela Universidade de Lavras
Formação Acadêmica em Matemática pela Unioesp.



INICIO DO ANO LETIVO

 
INICIO DO ANO LETIVO 

Logo nos primeiros minutos do dia, mais um ano letivo se iniciava. A inspetora da escola entrou, puxando pelos braços uma criança muito assustada.
O corpinho esguio, o cabelinho espetado para o alto, a camiseta preta e a calça jeans, em desconformidade com o uniforme da rede escolar.
Perguntei-lhe o seu nome, e com a voz embargada, misto de choro e medo, ele respondeu.
Perguntei à inspetora o que havia acontecido com ele, e ela respondeu que ele não queria entrar na sala de aula.
Toquei em suas mãos e pude sentir o frio. Percebi pela sua postura que ele estava assustado. Tentei persuadi-lo a relaxar, a se sentir acolhido. “O que houve"?
Por que você está assustado?”, perguntei. Ele respondeu: “Meu pai me deixou aqui, eu quero ficar com a minha irmã.”
Essa frase me tocou, e eu me lembrei do meu primeiro dia de aula.
Lá estava eu, no meio daquela gritaria, com todos falando mais alto que o outro, cada um querendo se fazer ouvir.
E ficava aquele barulho ensurdecedor. Ninguém me notou, com certeza. Eu estava assustado, inquieto, parecendo um animalzinho indefeso, sem saber direito onde ir ou o que fazer.
Procurava segurança, queria estar perto da minha mãe, das minhas irmãs, mas não havia jeito. Não podia dar na cara o que estava sentindo.
As expectativas eram várias, e eu mesmo dizia em casa que queria ir para a escola. Então, chegou o dia, e ali estava eu.
Foram vários dias assim, um misto de medo, ansiedade e angústia.
Quando estava chegando a hora de ir para a escola, vinha o apavoramento. Hoje, quando vi aquele garoto, me vi, me lembrei dos meus primeiros dias no grupo escolar do jardim Jussara.
Revivi os meus medos, minhas angústias, quanta insegurança. E ninguém me notou, não houve acolhimento, não havia uma mão generosa como a da inspetora de hoje para tocar no meu ombro, me encorajar.
Confesso que ainda hoje, no início dos anos letivos, tenho as mesmas sensações de antes. E olha que tudo começa na véspera, quando termina o programa jornalístico do domingo à noite, quando o apresentador se despede dando boa noite.
Durmo mal, fico ansioso, chego na escola com uma vontade louca de desistir de tudo. Aí vem o senso de responsabilidade, sei que sou eu que devo aprender a lidar com os meus fantasmas, tenho as minhas responsabilidades e obrigações para arcar.
Não sinto prazer em fazer, mas me dá uma pequena satisfação.
Provavelmente, a falta de entusiasmo foi tirando-me a empolgação, e o tempo se encarregou do resto.
Sou um velho beija-flor, que conhece o adocicado do néctar, vôo de flor em flor, não pelos néctar, mas sim para que as primaveras não deixem de existir, muito embora as flores não me cheguem.
Garoto, se assuste, mas não desista.
A vida vale a pena, os desafios existem para serem superados, e não busque reconhecimento, fama ou sucesso.
Prime por sabedoria e inteligência, e o resto lhes serão acrescentados, não na forma do mundo, mas sim no modo de viver e amar.
Bom ano letivo para todos nós.

Crônica Poética, escrita pelo professor Rosalvo Silva Filho